sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Acender


Escuro. Ausência total de luz. Blackout. Estar de olhos abertos, mas parecer que eles estão fechados. Não enxergar nada. Estender as mãos sem saber o que vai alcançar, ou se vai alcançar alguma coisa. Sentir medo de caminhar, pois não se sabe onde pisa. Sentir medo do escuro.

Não sei por que o escuro nos aterroriza tanto. Mas o fato é que não se consegue viver na escuridão. Não por motivo “a” ou por motivo “b”, mas por todos os incontáveis fatores imagináveis.

E é só quando nos deparamos com a escuridão que valorizamos a “luz”. Pode até soar como clichê, mas é a pura verdade. A gente só percebe o quanto precisa das “luzes” quando elas, mesmo que por um pequeno instante, se apagam.

Precisamos delas para clarear os nossos caminhos. Precisamos delas para enxergar o mundo, para sabermos que está tudo bem. Precisamos delas para que não tenhamos medo de ir além. Precisamos delas para praticamente tudo. Precisamos da “luz” até para enxergarmos a nós mesmos.

O que não entendo bem é por que mesmo sendo tão dependentes da “luz”, por diversos momentos, preferimos viver na escuridão. Por que mesmo sabendo o quanto o mundo é bonito, preferimos viver de olhos fechados.

Com os olhos fechados a gente não enxerga nada. Nem a nossa própria luz. Sim, também somos portadores de luz, embora não a usemos na maioria das vezes. Pois é, quando fechamos os olhos, não conseguirmos enxergar nem nossa própria luz; até para enxergá-la (e devo dizer que principalmente para conseguir enxergá-la) precisamos estar de olhos abertos.

O engraçado é que quando “abrimos os olhos” pensamos que seremos fortes o suficiente para mantê-los assim, até que vem a noite, o sono... Quando nos damos conta, já estamos lá mais uma vez, de “olhos fechados”.

Mas ainda podemos manter a esperança. Eles se abrem todas as manhãs, pelo menos na maioria das vezes. E embora se fechem, sabemos que não conseguimos ir muito longe com eles dessa forma, sendo assim, eles continuaram a se abrir. Até que um dia, quando todos pensarem que eles se fecharam para sempre, aí então vão se abrir, verdadeiramente.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Alice!


Fazer-se pequeno e fazer-se grande. Ser mutável, maleável, adaptável a qualquer situação. Ter a coragem necessária pra enfrentar os seus medos e desafiar os injustos... pois é! Alice tem mesmo muito a nos ensinar!

Já sabemos que todos seguimos um coelho imaginário (que só nós mesmos somos capazes de enxergar) e que nos leva ao nosso país das maravilhas; mas também precisamos lembrar que caminhar por estas terras fantásticas – e/ ou por quaisquer outras – exige de nós mais alguns desafios.

Assim como Alice, é preciso ser pequeno em muitos momentos. Diminuir-se para poder se adaptar melhor as circunstâncias e situações que vivemos. Existem portas que são muito pequenas, e precisamos ser menores do que elas se quisermos atravessá-las.

Ao mesmo tempo também é necessário em outras circunstâncias que cresçamos. Que nos tornemos maiores do que podemos imaginar para enfrentar nossos vilões, nossos medos... enfim, para enfrentarmos aqueles que querem “cortar nossa cabeça”!

Bom, é certo que não vamos encontrar uma garrafinha com um rótulo escrito “beba-me” que vai nos deixar medindo 10 centímetros, nem muito menos um bolinho que nos deixará com 4 metros. È preciso saber enxergar cada situação e tentar adaptar-se a ela da melhor maneira (im)possível!

Precisamos saber os momentos exatos de crescer e diminuir. E nunca podemos nos esquecer que sabendo ser humildes e fortes podemos atravessar qualquer porta, por menor que ela possa parecer!

Claro que é preciso ter também muito cuidado! Até em nosso próprio país das maravilhas existem vilões que querem cortar as nossas cabeças!

Bom é isso! Por hoje não posso me estender mais! Tenho que ir, hoje é a minha festa de desaniversário!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Neverland


A gente nunca está completamente satisfeito não é? Quando criança somos loucos para crescer... ser adultos! Então crescemos (sem se dar conta – vale ressaltar esse detalhe) e percebemos que seria bem mais cômodo se a infância fosse eterna, como desejava Peter Pan.

Crescer traz consigo um embrulho maior do que podemos imaginar enquanto crianças. Responsabilidades, obrigações, preocupações e um outro grande leque de “ões”.

Na infância nossa única responsabilidade é ir a escola (que só percebemos o quanto era divertido com o passar do tempo) e a única preocupação é passar de ano! E encaramos nossas poucas tarefas com a maior naturalidade!

Com o passar dos anos começamos a observar o mundo com outros olhos e percebemos que (in)felizmente tudo não é uma grande brincadeira! E nessa bola azul em que vivemos existe muitas coisas e pessoas que estão dispostas a derrubar o nosso castelinho de areia.

É aí que vem aquele pensamento que acredito que já tenha passado pela cabeça da grande parte dos adultos – se não de todos: “esperto mesmo era Peter Pan que não queria crescer nem deixar a Terra do Nunca”.

Não estou falando de Michael Jackson! Ele não tem nada a ver com a normal “síndrome de Peter Pan” que acomete a grande maioria das pessoas. O caso do dito “rei do pop” deve ser analisado por psicanalistas e/ ou psiquiatras e não por um mero jornalista que tenta escrever sobre seus anseios e incômodos pessoais.

Voltando ao foco. Talvez o remédio para tal “síndrome” não seja uma infância eterna – já que isso é logicamente impossível. Guardar um pouco (ou um “muito”) da postura infantil diante das “dificuldades” seria sim um antídoto mais eficaz.

Perdemos muito de nosso precioso tempo “esquentando a cabeça” com problemas que já não podem ser resolvidos, com situações que já se foram! Com coisas que não podem mais nos incomodar a não ser em nossas lembranças!

Na infância a memória para situações desagradáveis é extremamente curta – para não dizer inexistente. O que realmente importa é a próxima brincadeira! Com o tempo vamos perdendo pouco a pouco essa capacidade de não se importar com o que não importa.

E em vez de nos lamentarmos pelo tempo que passou, devemos aprender a lidar com nossos infortúnios do modo que eles merecem: dando apenas a atenção necessária – praticamente nenhuma, diante de tantas coisas boas que temos para aproveitar!

O bom é bom demais para desperdiçarmos o nosso tempo com o ruim! Então, qual é a nossa próxima brincadeira?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

@jhmedeiros no Diversidade



Matéria sobre "blogs" exibida pelo programa Diversidade da TV Itararé com a participação no blog @jhmedeiros! ;)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2 mil e 11

Ultimamente tenho tido a impressão de que o tempo está passando mais rápido do que antes... “ano que vem” se transforma em “ano passado” e a gente nem se dá conta...

Mas o tempo continua sendo o mesmo... até onde sei, um dia continua com 24 horas; uma hora com 60 minutos; um minuto com 60 segundos... e por aí vai!

O diferente na verdade é o modo como “encaro” o tempo! E isso, ao que parece, não é um “privilégio” somente meu! O que mais ouvi nos últimos dias: “esse ano passou mais rápido que o anteiror...”

Acho que o que mudou na verdade não foi o “meu”, mas o “nosso” modo de lidar com o tempo!

Preocupamo-nos tanto com o que fizemos ontem e com o que faremos amanhã que nem percebemos que o hoje se esvai... se acaba... se perde!

Aumentando as proporções, temos semanas... meses... anos que deixamos ir embora! E só valorizamos quando soltamos a clássica expressão: “puxa, passou tão rápido”!

No Brasil só se fala em 2014 e 2016; em minha cidade são mais modestos, preocupam-se mesmo com 2012 (eleições municipais); fora as expectativas pessoais de cada um... que contam os dias para fevereiro, abril, setembro... e nem terminamos a primeira semana do ano!

Perspectivas e planos são indispensáveis... e tenho os meus para 2011... mas gostaria de viver o valor de cada dia... e gostaria mais ainda que esse pensamento não fosse só meu!

Por que nos preocuparmos com fevereiro se nem bem começamos janeiro! Ainda mais com tanta coisa que tem pra se fazer nesse mês... viajar, estudar, trabalhar... se entregar ao ócio e não fazer absoltamente nada! Enfim viver o tempo. Desfrutar de cada segundo...

Depois se o bordão clássico “puxa, passou tão rápido” surgir em alguma conversa pelo menos podemos responder: “É. Até que passou rapidinho mesmo, mas eu vivi esse tempo todo e pude aproveitar pelo menos um pouco de sua existência efêmera!”

sábado, 18 de dezembro de 2010

Um Ano


O que aprendemos em nosso primeiro ano de vida? Bom, como quase tudo nessa vida, isso varia de pessoa para pessoa. Antes do primeiro aniversário alguns já arrastam os primeiros passos, outros já ensaiam as primeiras palavras... alguns conseguem ambos os feitos, outros não conseguem nenhum dos dois...

E no primeiro ano da escola? O que fazemos? O que aprendemos? Alguns já começam a frenquentar a escola com conhecimentos adquiridos na própria casa, já sabem fazer os primeiros rabiscos de seu nome, contornar as primeiras letras... gaguejar as primeiras leituras...

Quando pequenos um ano parece ter bem mais tempo do que quando adultos, mas embora o tempo “demore” mais a passar não damos muita importância a isso. Depois de crescidos um ano passa rapidinho... mal temos tempo de vê-lo passar... mas nos lamentamos por cada segundo “perdido”.

E na vida profissional? O que é um ano!? O que fazemos em nosso primeiro ano como profissionais a disposição do mercado de trabalho!? Quais são os primeiros passos... as primeiras palavras??

Questiono-me quando a isso porque hoje (17/12) completo meu primeiro ano de formação como jornalista (contado a partir da apresentação do trabalho de conclusão de curso)

Quais foram os primeiros passos que arrastei? E as primeiras palavras que gaguejei?

Refletindo sobre isso durante o dia de hoje, percebi que não vale a pena olhar para trás nesse momento (se analisarmos bem, é provável que em nenhum momento seja proveitoso se apegar ao passado)

Quando uma criança caminha pela primeira vez é uma felicidade tamanha. Foi o primeiro passo de toda uma caminhada. Mas, embora seja importante, por ser o primeiro, ele tem uma importância infinitamente menor perante os passos dados no passar dos anos. Os passos da vida adulta são firmes. Sabem onde estão indo. Sabem para que servem.

Do mesmo modo as palavras. As primeiras frases “cuspidas” não se comparam com o quanto falamos na vida adulta. E da mesma forma dos passos, as primeiras palavras não tem um terço da consciência das palavras proferidas após a maturidade.

Claro, alguns já galgam passos firmes em seu primeiro ano de carreira. Mas como deixei claro no início do texto “isso varia de pessoa para pessoa”...

Hoje, ao apagar a primeira velinha do meu “bolo profissional” não quero me deter aos passos arrastados e as palavras gaguejadas! Quero firmar meus pés no chão e prepará-los para começar a caminhar verdadeiramente.

Como jovem de 1 ano quero mais uma vez olhar para aqueles que me inspiram e tentar seguir seus passos, ainda vou precisar segurar algumas mãos para me apoiar... mas o importante é que estou aprendendo a caminhar, e logo logo, estarei correndo por aí!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Germinar


O ser humano às vezes pensa tão pequeno, para falar a verdade, na maioria das vezes. Temos a mania de reduzir as coisas, de classificar, de rotular, enfim de minimizar...

Vejamos por exemplo o que acontece com as plantas. Para se tornar uma árvore, a semente precisa morrer enquanto semente. Precisa se abandonar, deixar-se germinar, para depois, pouco a pouco, crescer e futuramente dar novos frutos... se a semente não “morre”, apodrece... se apega a sua existência pequena e não se permite tornar-se algo maior.

Pode parecer loucura. Mas com o homem acontece exatamente o mesmo. Só que ao contrário dos vegetais, com os seres humanos, a maioria das sementes não se deixa germinar...

Se o homem não se abandona, não se permite ser cultivado, e se apega a sua existência pequena de humano, ele simplesmente apodrece. Não consegue gerar nenhum fruto... nada de concreto.

Assusta-me o materialismo dos dias de hoje. A frieza. A “desumanidade”. As pessoas nas ruas se parecem cada vez mais com animais no meio do mato. Ninguém se olha, ninguém se cumprimenta, ninguém se vê... tantas sementes que caminham para o apodrecimento...

O homem, na maioria das vezes, não consegue perceber que não foi feito para este lugar...

Não há nada nesse mundo que seja capaz de preencher o coração humano. Sempre queremos mais. Um emprego, um salário. Depois, um emprego melhor, um salário maior... uma casa, um carro... depois uma casa maior... um carro melhor... nunca o coração humano vai se sentir plenamente satisfeito com qualquer coisa terrena. Isso tudo pelo simples fato de não termos sido feitos para esse lugar.

A nossa condição de humano é apenas uma semente daquilo tudo que podemos ser... e para nos tornarmos árvores precisamos renunciar a nossa existência de semente. E deixar-nos ser cultivados por Aquele que sabe exatamente do que precisamos para germinar.

Se não tivermos a humildade necessária para renunciarmos a nós mesmos em função do amor do Pai, jamais teremos a experiência de nos sentirmos completamente preenchidos, completos... essa sensação só vem após a germinação.

O coração humano é sedento do amor de Cristo. É esse amor que dá razão a tudo que nós somos e ao que um dia seremos. Mas Ele só ama a quem se deixa amar...

Acordemo-nos. Não podemos perder a oportunidade de nos tornarmos grandes árvores só pelo fato de não termos coragem de renunciar a essa existência tão efêmera de semente!