terça-feira, 20 de março de 2012

Oops! Pensei ;~


Ultimamente tenho pensado que pensar é uma coisa muito louca. De repente algo resolve aparecer na nossa mente e fica por lá, tomando conta de tudo, ocupando os espaços... e não vai embora. Não satisfeita de tomar conta dos seus pensamentos, essa coisinha passa a querer tomar conta de tudo em você, de você todo!

Martela, insiste, fica... e fica... e fica... com o costume de ocupar, espaçoso como só eles sabem ser, alguns pensamentos tentam te convencer que não são só pensamentos, tentam te convencer que são reais! Tentam se libertar das conexões cerebrais e habitar o mundo aqui fora.

O chato é que os pilantras são dotados de um poder de persuasão ímpar. Eles são tão convincentes que te fazem querer libertá-los. Tirá-los de dentro, deixá-los livres, dar-lhes vida!

Só que alguns pensamentos não podiam nem ser pensamentos, e esses costumam ser os mais atrevidos. São esses que mais querem ser libertos, quando na verdade, devem ser sufocados. A chave para libertá-los está bem longe, em universos paralelos... nos pensamentos de outras pessoas... pessoas que talvez não queiram usar essas chaves...

É louco demais isso... Mas tenho pensado também que melhor mesmo seria não pensar. Simplesmente poder desligar tudo, ou ao menos deixar em “stand by”. Mas sempre que tento parar de pensar, eu penso! Viu!? Já pensei...

Talvez um remédio bom fosse enlouquecer de vez. Perder qualquer noção de tempo e espaço e passar a viver feliz na terra dos pensamentos, junto com os donos da casa. Onde eles são livres... e onde talvez eu também pudesse ser...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Psiiiiiiiu!


Enquanto alguns não perdem nenhum segundo de concentração, outros cochilam sobre os seus livros e anotações. Alguns mexem em seus papéis com cuidado para não fazer barulho, outros, desastradamente, quebram o silêncio de modo brusco, arrastando cadeiras ou com toques estridentes de telefones.

As mãos, todas inquietas, apóiam as faces, se apertam e/ou se aquecem. Escrevem, anotam, colorem textos com riscos de lápis fluorescentes, ou ainda, esticam os braços como uma tentativa de arrancar disposição de onde já não há.

Vez ou outra, alguns olhares curiosos, que tentam descobrir o tema dos estudos do vizinho, se cruzam com outros olhares também curiosos, e, ambos se convertem em olhares tímidos, que logo buscam refúgio nas letras miúdas que precisam ler e compreender.

Olhos cansados se esforçam quando já sentem que não conseguem mais. Olhos exaustos desistem, e arrastam corpos igualmente exaustos para o lado de fora, aquele lugar onde se pode falar.

Porém, as cadeiras mudas ficam sozinhas por pouco tempo. Logo são ocupadas por outros que precisam partilhar do silêncio, ouvir estalar de dedos, canetas sendo abertas, riscos de lápis, espirros discretos e folhas que se movem lentamente, tentando levar um pouco do silêncio para aquele mundo onde se pode falar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

e dois/ e-12


Mais uma vez, após um pequeno período de ausência estou voltando para o meu pequeno refúgio. As palavras deixam novamente as folhas de papel e passam a ocupar seu espaço nesse recantinho que é tão “meu” e ao mesmo tempo não é... Como tudo de certo modo é de fato!

Nesses primeiros dias do ano tenho pensado bastante nessa perspectiva que construímos de propriedade, e em quantas vezes pensamos que “temos” quando na verdade “não temos”. Momentos que disfarçamos de “eternidade” para nos sentirmos seguros.

Tenho pensado bastante nisso porque minha mente tem me levado bastante para minha vida há dez anos, e pela primeira vez, tenho lembranças ricas em detalhes de um período tão distante, dez anos. Lembro do que eu tinha como “meu”, das pessoas que eram “eternas”, do perfume que eu usaria “pra sempre”, dos sonhos que eu queria realizar sei lá, em 2012! Ia demorar tanto mesmo a chegar...

E aí? E aí que muito do “eterno” já se perdeu, não que nada tenha ficado, ficou, e muito! Mas a maioria do que ficou, ficou só aqui comigo, em minha mente, que diferente de mim, consegue ser organizada.

E meu perfeccionismo quase doentio não me permite não pensar em como eu vou estar daqui a dez anos, se eu estiver. Não consigo não tentar imaginar quais retalhos do meu “eterno” de hoje vão se revelar de fato como “eternos”, e quais deles vão se organizar naqueles arquivos que guardo com muito carinho, mas que (in)felizmente não consigo reproduzir por inteiro.

O passar dos anos está me transformando em um velho chato. É certo que a chatice sempre fez parte de mim de um modo bem acentuado, mas ela está crescendo junto comigo. E essa nova chatice, mais madura, aprendeu a ser exigente e criteriosa.

O meu arquivo de lembranças, graças a Deus, é bem rico! Gosto sempre de recorrer a esta caixinha que guardo em mim porque ela costuma me fazer muito feliz, mas eu temo por aquilo que hoje eu “tenho” e que em 2022 pode estar guardado somente na caixa, não mais em minhas mãos.

Amo minhas lembranças, e sou muito grato em tê-las, mas a rapidez com que as coisas estão acontecendo têm me feito desejar “eternidades concretas”. Preciso daquilo que fique por dez anos, e por muito mais que isso, não apenas nas lembranças, que simplesmente fiquem!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

23º Novembro


Esperamos tanto por tantas coisas que acabamos nos acostumando a viver esperando. Algumas esperas mais demoradas e exaustivas, outras menores e mais cômodas. Algumas esperas necessárias, e outras completamente desnecessárias, das quais tomamos posse por puro “costume”, por mania de esperar.

Ficamos desatentos, e transformamos nossa vida em uma “sala de esperas” sem fim! E daquelas bem insuportáveis... Com revistas velhas das quais já conhecemos todo o conteúdo; com pessoas chatas do nosso lado, com quem não conseguimos criar diálogos para deixar o tempo um pouco mais agradável. Esperamos sem saber por que, nem muito menos o quê. Simplesmente por comodismo, sentamos e esperamos.

Em alguns momentos, como já foi citado, é preciso aguentar a chatice da sala de espera. Mas em outros não! Podemos levantar e sair por aí passeando em quanto não chega a nossa vez...

Pena que até involuntariamente o costume de esperar passa a fazer parte de nós, e, mesmo sem querer, esperamos sempre... Por tudo e por todos. É aí que damos de cara com as filhas da espera (que conseguem ser mais insuportáveis do que sua mãe), as expectativas!

Essas garotinhas temperamentais que, embora consigam ser legais algumas vezes, são intragáveis na maior parte do tempo. Elas nos distraem e nos iludem enquanto sua mãe nos aprisiona. Confiamos demais nas expectativas e só percebemos que elas (no caso, nós mesmos) nos enganaram quando a espera se cansa de nós e vai embora levando suas filhas. E fica aquele vazio, que não existia, mas que permitimos que fosse criado pelas serelepes expectativas que nos ludibriavam.

O perigo está exatamente aí... Muitas vezes esperamos por nada! Queremos que o mundo nos ofereça mais do que ele pode nos oferecer naquele momento... E em vez de olhar com satisfação e agrado para o que podemos ter, prestamos atenção no silêncio deixado naquele espaço que era ocupado pelas expectativas...

E por aí vai... Esperamos, esperamos, esperamos... A sensação de que o tempo está passando mais rápido aumenta a cada dia! E continuamos esperando... Cá estamos de novo, novembro já se foi pela 23ª terceira vez... E eu só consigo me perguntar: quanto tempo já desperdicei nesta sala de espera?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Capim Santo


Depois de muito tempo caminhando sobre o asfalto devo confessar que havia me esquecido do quanto é prazeroso caminhar no chão de terra. Havia me esquecido da satisfação que dá acumular poeira nos pés, olhar cada recantinho do chão para não pisar em espinhos... dentre outras tantas “aventuras” que a cidade não costuma nos proporcionar.

A água morna da mangueira. O sol que, mesmo se escondendo, esquenta sem piedade. A poeira fina da estrada que se acumula no carro e, por conseqüência, também se acumula em nós, em nossas roupas, em nossa garganta.

A sombra do Juá, que oferece o ambiente perfeito para observar a paisagem verde ressecada. O céu limpo, quase que sem nuvens e o sopro do vento em nossos ouvidos. A sutileza com que o tempo passa. A noite que vai chegando mansinho, acompanhada de revoadas de mosquitos.

Para muitos pode parecer tolice. Para outros tantos, apenas um emaranhado de palavras sem nenhum significado lógico. Apenas alguns vão entender o que quero deixar registrado neste pequeno escrito. Pequenos recortes de uma essência, que como essência que é, se preserva latente em cada célula, esperando um momento oportuno para vir a tona.

Tempo demais no asfalto pode me deixar esquecido do prazer de pisar na terra quente (sim, ele existe), mas não pode me privar de guardar em mim aquilo que sou.

Justamente na volta para a cidade foi que pude me dar conta do quanto foram proveitosas aquelas simplórias duas horas na zona rural.

A garganta ardendo pelo excesso de poeira na estrada. O vento entrando hora quente, hora frio pela janela. O céu rosado do final de tarde. O cheiro forte da terra quente molhada por tímidas gotas de chuva misturado com o perfume doce (e igualmente forte) do “capim santo” colhido para ser transformado em chá.

Capim que desde aquele instante doou sua essência, levando perfume, e por que não também um pouco de santidade, aos pensamentos enrijecidos como/pelo o concreto da cidade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Céu!


Desde bem pequenos observamos aquela imensidão e nos perguntamos do que se trata. Vemos aquele grande “teto”, hora cheio de nuvens, hora cheio de estrelas e pensamos: o que será que tem lá em cima?

Então nos ensinam que o “céu” é a casa de Deus, e que quando as pessoas boas vão embora, vão para lá morar com Ele. São muitas as opiniões e suposições de como é o “céu”. Mas acredito que seja unanimidade que lá é um lugar tranquilo, cheio de paz e de sentimentos bons, onde todos se sentem bem simplesmente por estar lá.

Mas se visualizamos este lugar tão bom, por que não começar vivê-lo agora? Sim, começar a vivê-lo hoje mesmo. Cultivar essa paz “do céu” em cada um dos nossos momentos, em cada uma de nossas relações.

Todos temos concepções de “céu”. E, como humanos que somos, construímos concepções baseadas em situações e sentimentos humanos. Logo, esse “céu” de cada um pode ser vivido ainda aqui.

È claro que falando assim parece até fácil. Mas cultivar o “céu” no mundo de hoje não é nada fácil. O que não faltam são “ervas daninhas” para tentar sufocar essas sementes antes mesmo delas germinarem. Mas é somente difícil, não é impossível. E qualquer esforço empregado neste cultivo não será em vão.

Quando a gente busca viver o céu, logo surgem ao nosso redor inúmeros anjos dispostos a nos ajudar nesse caminho. Anjos que levantam (ou simplesmente não deixam cair), que cuidam, que guardam... Anjos que fazem bem mesmo sem a intenção de fazê-lo!

Os anjos estão sempre por perto. Mas, quando não estamos ao menos tentando nos manter em “clima de céu” não somos capazes de vê-los, nem tampouco de senti-los. E como é bom ter anjos por perto...

E, estando no “céu”, a gente fica bem pertinho do sol. Sabe aquele que mais brilha, mais aquece, mais ilumina? Pois é!

Quando olhamos para cima, o céu parece estar bem longe, mas em nenhum momento podemos nos esquecer que temos o nosso céu, que está em nós! Sempre conosco! E para esse “nosso céu” a gente não precisa ir, só precisamos permitir que ele saia de nós e retorne a nós mesmos...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Meio Fio


Esses dias caminhando pelo Centro cheguei a conclusão de que talvez o processo de "viver a vida" seja igual a atravessar a rua. Quando a gente pensa demais corre o risco de ficar parado no lugar enquanto todos passam por você.

Mas como tudo que nos rodeia, o paralelo pode se tornar mais complexo, como o próprio processo de viver.

Assim como pensar demais oferece seus riscos, pensar de menos também pode oferecer. Quando pensamos pouco [ou não pensamos] corremos o risco de ficarmos pelo caminho, sem segundas chances ou oportunidades de recuperação.

Complicando ainda mais um pouco, observamos que existem ruas, avenidas, becos e vielas. E que cada situação tem suas peculiaridades e hipóteses a analisar antes de se tomar uma decisão final.

Em alguns momentos é preciso um pouco mais de paciência e caminhar até a “faixa de pedestres” mais próxima. Em outros, por mais arriscado que possa aparecer, vale à pena atravessar correndo na frente dos “carros em alta velocidade”.

A medida exata de pensar! Talvez este seja mais um item a ser incluso na lista dos “meio termos” que devemos buscar para encontrar nosso “equilíbrio”.

E, por fim, não custa nada lembrar que é improvável que em toda e qualquer “travessia” estejamos sozinhos. Sempre vai ter alguém do nosso lado, esperando no meio fio ou canteiro para atravessar à rua conosco e chegar aos outros lados que ainda estão por vir.

Colaboradores involuntários: Cristianne Melo e Thiago Vinícius ;D